O Neocolonialismo e a Primeira Guerra

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O Neocolonialismo e a Primeira Guerra

Escrito por : Antonio Auriemo

Aprendemos que a Primeira Guerra Mundial se deu devido ao assassinato do arquiduque austríaco Franz Ferdinand. Entretanto, poucos sabemos que o neocolonialismo ou, como é mais comumente se referido, imperialismo, foi um importante fator para causar o barril de pólvora que era a Europa no começo do século XX.

Neocolonialismo foi o ato de dominância política e militar das potências europeias florescendo sob o regime capitalista, no continente africano e asiático; o boom industrial na segunda metade do século XIX na Europa, criara uma demanda e exigência de colônias para a extração de matéria prima e mão de obra.

A Alemanha, protagonista da Primeira Guerra Mundial, no século XIX passara por um trágico processo de cisão política mas principalmente territorial. Durante as Guerras Napoleônicas, o imperador francês invadiu o antigo e estável Império Sacro Romano Germânico, que reinava sobre a maioria dos povos germânicos na época. Quando da invasão de Napoleão fora feito um acordo entre o monarca francês e a família reinante do império, os Habsburgo; o Império Germânico se dividira: com os ducados do norte ficando sob domínio francês enquanto um novo império independente se formaria ao sul, o Império Austríaco.   

Ao norte, após a queda de Napoleão, a potência dominante da região se tornara o reino da Prússia. A Prussia buscava a partir da segunda metade do século XIX uma unificação dos Estados germânicos do norte. A grande cabeça por trás desse processo fora o chanceler prussiano Otto von Bismarck que conseguiu a tão desejada união, com o rei Guilherme I da Prússia sendo aclamado Kaiser do Império Alemão em 1871, logo após a vitória sobre a França na guerra Franco-Prussiana.

O processo de unificação alemã, impossibilitou a requerida estabilidade política para obter legitimidade quanto as outra potências europeias, na obtenção de grandes territórios ultramarinos na África. A Partilha da África, ocorrida em 1884-5, fora a reunião das principais potências europeias a fim de estabelecer os domínios e fronteiras de cada país no continente africano. Durante a partilha foram concedidos à Alemanha pequenos territórios, insuficientes para cobrir a demanda de matéria prima exigidas pelas prósperas indústrias armamentistas do país. Sobre isso, o documentário Segredos da Primeira Guerra aponta: “A Alemanha também tinha colônias, mas queria uma fatia maior do bolo”.

Os alemães aos poucos passaram a ocupar o status do potência industrial juntos aos franceses e britânicos, entretanto sem colônias, fator esse fundamental para desestabilizar a Belle Époque europeia. De acordo com um documentário sobre a Primeira Guerra: “Toda busca pela origem da Grande Guerra (primeira guerra) tem a Alemanha envolvida. Seu Estado, militarizado e instável. Seu povo, moderno, industrializado e determinado a melhorar sua posição no mundo. Seus generais, obcecados com a demonstração de poder, más inseguros com a força do Estado alemão como um poder imperial.”

Aos poucos, os países insatisfeitos com suas fatias de território colonial formaram alianças entre si, que baseavam-se em um princípio simples mas perigoso; se um entrasse em guerra o outro entraria junto. A Tríplice Aliança, fundada pela Alemanha em 1882 com as participações da Áustria-Hungria e Itália recém unificada também, serviria como contrapeso aos interesses imperialistas britânicos, franceses e russos.

Assim, voltamos aos Balcãs onde o assassinato ocorrera: a Áustria-Hungria, e consequentemente a Alemanha e Itália, acreditando que o homicídio tivera como mandante o governo sérvio, entrou em guerra com o país; a Rússia, aliada da Sérvia, declarou guerra à Tríplice Aliança, e subsequentemente a França e Reino Unido também. A Europa nos próximos 4 anos entraria em sua mais violenta guerra até então.

8 Replies to “O Neocolonialismo e a Primeira Guerra”

  1. Adorei Antônio, muito claro, como sempre. Realmente a causa imediata, a gota d’água nunca é o principal fator que determina um fato histórico. Excelente análise do que realmente provocou a Grande Guerra.

  2. Antonio,
    Ótima cobertura dos fatos que geraram o ambiente para a primeira guerra, o assassinato do arquiduque foi apenas o estopim, o clima já estava criado, como você coloca muito bem neste texto.

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