Escrito por : Antonio Auriemo

Introdução

Quando pensamos em vikings, a imagem que vem em nossa cabeça é a de homens altos, fortes de cabelos ruivos e barbas longas, dotados de força sobrenatural. Entretanto, os vikings são muito mais do que força bruta e conquistas selvagens. Em vários aspectos esse povo foi inovador e muito desenvolvido.

Muita da imagem que temos dos vikings, de bárbaro primitivo é derivada dos únicos relatos escritos a que temos acesso hoje em dia. As descrições de seus encontros com os europeus ocidentais, expressam o terror legítimo sofrido por suas vítimas. Eles não deixaram-nos nenhuma outra versão dos mesmo fatos para contrapor a estas já presentes. Por isso, temos uma imagem desbalanceada ou até, em muitas ocasiões, irreal do que realmente foram os vikings.

A forma de escrita viking, as runas era reservada apenas a inscrições em pedras como culto aos seus deuses nórdicos. Todas as histórias e relatos contados no mundo viking eram transmitidos oralmente, conclamados pelos grandes poetas, presentes em toda corte viking. Por isso, o escritor Americano Lars Brownworth em seu livro “The Sea Wolves” aponta: “A história dos vikings foi amplamente contada por outros – histórias compiladas por suas vítimas”.

A origem da palavra viking é ainda um mar de hipóteses aos historiadores contemporâneos. Viking, derivado do antigo Nórdico “wicing” que significava “conquistador do mar” aparece primeiramente no século XI, muito depois do apogeu das conquistas e invasões desse povo. Quanto a origem da palavra “wicing”, acreditasse ser derivada de “vika” ou “wica”, a palavra em antigo nórdico equivalente a “remar” em português. Em registros que precedem o século XI, os vikings eram chamados de “Nórdicos” ou “Pagãos”.

Os biomas da hostis da Escandinávia, foram fator fundamental não só no biotipo viking mas também em sua cultura e modalidades de relacionamentos. A Escandinávia é formada pelos países que conhecemos hoje como Dinamarca, Noruega e Suécia, com a ponto mais ao sul sendo a península da Jutlândia, onde se encontra a Dinamarca e 2000 quilômetros acima em Knivskjellodden na Noruega, o mais ao norte.

A Dinamarca o mais ao sul dos três países tem também o clima mais ameno. Os vikings dinamarqueses, os mais avançados, comercializavam peles de animais e outras mercadorias com toda a Europa continental, desde da época Romana. Em Hedeby, uma importante cidade comercial viking habitada por dinamarqueses (que hoje se encontra na Alemanha), foram encontrados os mais variados produtos em escavações arqueológicas: de dinares falsificados (moedas arabes) até chifres da rena e pedras sabão norueguesas. Além de comercializar, saíram da Dinamarca importantes expedições militares como, por exemplo, a invasão de Paris em 845 d.c. por Ragnar Lothbrok.  

A Suécia, quando comparada à Noruega era a mais propensa à agricultura. Grande parte de sua população ia ao leste comercializar e explorar, diferentemente de muitos noruegueses que iam conquistar, pilhar ou até colonizar. Em 753 d.c., quarenta anos antes dos noruegueses chegarem à costa inglesa em Lindisfarne, os vikings suecos, já adentrados no sistema fluvial da atual Rússia conquistaram forte ‘Staraya Ladoga’ que os davam acesso às importantes ofertas de prata e seda do rio Volga.

Provavelmente a mais desafiadora para se sobreviver era a Noruega. Quase um terço de seu território encontra-se ao norte do círculo polar ártico e contém uma enorme cadeia de montanhas. O pouco do espaço possível para se desenvolver a agricultura eram chamados de “fiordes”. Os fiordes eram divididos em longos e estreitos terrenos, delimitados pelas montanhas e florestas. Os norueguesas foram provavelmente os vikings que primeiro chegaram à atual Islândia, Groenlândia e depois as Américas cerca de 1000 d.c.  

Essas condições extremamente hostis a sobrevivência, produziram personalidades altamente individualistas e independente de seus familiares; estas características são fundamentais para entendermos a mentalidade viking. Para os vikings, a fama ou glória, obtidas individualmente, através de batalhas e conquistas, era o único valor que merecia ser preservado. Em um poema chamado “O Hávamál” fica explícita essa característica: “Riqueza vai passar, Homens vão passar, Você também, do mesmo modo, passará. Uma coisa sozinha, Nunca passará: a fama de quem a ganhou.”

A independência dos indivíduos de suas famílias foi também um aspecto essencial para o sucesso das empreitadas militares vikings; é possível observar que em sua maioria, guerreiros e exploradores nórdicos, eram os mais novos entre seus irmãos. Isso devido ao sistema hierárquico de heranças paternas: somente o mais velho as recebia os bens. O escritor Daniel McCoy, no artigo “The Vikings’ Selfish Individualism” explica que: “Esses rapazes ambiciosos estavam insatisfeitos com sua sorte em seus países de origem e queriam melhorá-la (uma vez que não haviam recebido herança) – e, crucialmente […], tinham os meios para fazê-lo (conquistando e pilhando)”.  

Muita dessa busca obsessiva por glória, se deu também devido às crenças espirituais dos vikings. De acordo com a mitologia nórdica, o guerreiro que morresse em batalha seria levado pelas Valquírias, donzelas de escudo do grande deus Odin, ao Grande Salão de Banquete de Valhalla para deliciar-se junto aos deuses. Segundo Lars Brownworth, ser escolhido como uma dessas pessoas era a maior honraria e também o máximo símbolo de glória que um viking poderia receber.

Quanto aos suecos, segundo crônicas locais, era comum um pai colocar uma espada no berço de seu filho recém-nascido e dizer: “Não te deixarei propriedade para herdar. Você não há de ter nada além do que pode adquirir para si mesmo com esta espada”. Glória e riquezas conquistadas por mérito próprio, tipificavam a bravura e intrepidez viking.

A era viking, período datado do século VIII ao século XI, foi marcada pelo êxodo dos escandinavos para comercializar, explorar e pilhar em territórios alheios. O período viking acaba quando se dá a cristianização da escandinávia, fator esse que, por meio da formação de reinos com o rei sendo legitimado pelo direito divino, muda drasticamente a estrutura política, social e cultural da região.


5 Replies to “Os Vikings”

  1. Antonio muito legal este texto , desta vez preferi ouvir … e esta muito bem narrado ! Parabens

  2. Cara nao sei se vc sabe, mas varios dias da semana (em ingles) estão basados em deuses Vikings. Thursday (Thor), Wednesday (Woden —Odin), Friday (Freyah ou algo assim) e Tuesday (acho que Tyr ou algo assim). De fato um monte de palavras em inglês vem deles…

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