Jean – Jacques Rousseau (1712 – 1778)

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Escrito por : Antonio Auriemo

Jean – Jacques Rousseau (1712 – 1778)

Jean – Jacques Rousseau nasceu em Genebra, Suíça, no dia 12 de junho de 1712. Rousseau veio de uma família calvinista, que fugira da França 150 anos antes do seu nascimento devido a perseguição religiosa. Desde pequeno, já teve uma vida sofrida devido a morte da mãe após o parto e o abandono subsequente de seu pai.

Rousseau conta que não se recorda sobre como aprendeu a ler e escrever, entretanto, recorda se que lia com seu pai todas as noites e sobre isso escreveu: “eles (os livros) me deram noções bizarras e românticas da vida humana, que experiência e reflexão nunca foram capazes de me curar de”.

Em 1722, seu pai entrou em um conflito judicial com um fazendeiro local e com medo de perder a causa, mudou se para perto de Berna. Quando Rousseau tinha 12, seu pai casou se novamente e abandonou-o, deixando-o com seu tio materno. Aos 15, Rousseau fugiu de casa, ficou hospedado com um Padre Católico e converteu se o catolicismo.

Em 1742, mudou se para Paris, onde foi apresentar `a Academia de Ciencias seu novo sistema de notação de música. Nos anos seguintes, foi secretário do embaixador francês em Veneza, um trabalho mal remunerado, mas que despertou nele o amor pela música Italiana. De volta a Paris, Rousseau conheceu quem viria ser sua principal amante: Thérèse Levasseur. Com ela teve 4 filhos, a quem mais tarde convenceu a abandoná-los em um orfanato, por falta de recursos.

Rousseau começou a escrever verbetes para as grandes enciclopédias: no começo sobre música e depois sobre economia e política. Ainda em Paris, Rousseau, descobriu o iluminismo e começou a apoiar o movimento. Em 1756, o filósofo tornou-se hóspede do palácio de Madame d’Epinay, quando iniciou suas três maiores obras: “Nova Heloísa”, “O Contrato Social” e “Émile”. Com a publicação das três obras, Rousseau tornou se alvo de severas críticas que alegavam sua insanidade mental, chegando a ser internado no asilo de Motiers, onde permaneceu de 1761 a 1765.

Ao sair do asilo, Rousseau foi acusado de envenenamento e por isso, fugiu para a Inglaterra, onde o rei Jorge III lhe concedeu uma pensão vitalícia. Na Inglaterra, Rousseau foi perseguido novamente por novas alegações de loucura, o que o levou novamente a fugir para a França em 1778. Na França, o filósofo foi acolhido pelo Marquês de Girardin em seu domínio de Ermenonville, onde escreveu suas últimas obras:“Considerações sobre o Governo da Polônia” e “Devaneios de um Pensador Solitário”. Rousseau, ja com saúde mental frágil, morreu em julho de 1778 de apoplexia. 

O Bom Selvagem de Rousseau 

Sera que a civilização humana está realmente progredindo? Era esta pergunta que Rousseau se fez, ao, em 1749, ler um artigo no Jornal Mercure de France, que questionava se realmente os avanços culturais do século XVIII, contribuíram para a chamada “Purificações da Moralidade” (o mundo estava realmente avançando?) Rousseau é reconhecido por sua contribuição as ideias do iluminismo e ao entendimento do Estado de Natureza do ser humano e Contrato Social.

A teoria política de Rousseau começa pelo seu entendimento do que se passava no Estado de Natureza (condição humana antes da criação de uma sociedade). A Ideia de Estado de Natureza de Rousseau, se contrapõem inteiramente com a de Hobbes: para Rousseau o homem é bom por natureza e a sociedade o corrompe; daí a expressão “o bom selvagem de Rousseau”.

De acordo com Rousseau, o homem no Estado Natural, deseja somente aquilo que o rodeia, pois o homem natural seria desprovido do uso da razão. Rousseau quando fala do homem em seu Estado de Natureza diz: “Seus desejos não passam de suas necessidades físicas, os únicos bens que ele conhece no universo são a alimentação, uma fêmea e o repouso”. Para Rousseau, é justamente a carência de pensamento ou razão que possibilita a esse ser humano viver nesse Estado pacificamente. Segundo Rousseau, a ausência da capacidade de razão impede que esse homem enxergue o outro homem como seu semelhante.

A busca pela sociedade despertou nos indivíduos, até então puros com o desejo daquilo que somente os cercava, o que Rousseau chama de “Amour – Propre” ou amor de si. O Amour – Propre de Rousseau era uma ideia centrada no significado de orgulho, inveja e vaidade. Esse fenômeno passou a acontecer, segundo ele, quando pessoas começaram a viver em sociedades. Indivíduos começaram a se comparar uns com as outros, criando suas identidades somente baseadas nas dos demais. O homem primitivo de Rousseau, vivendo somente de acordo com suas necessidades mais legítimas, seria mais satisfeito e feliz.

Mesmo criticando duramente a sociedade, Rousseau acreditava que seria possível  preservar a liberdade natural do homem e ao mesmo tempo garantir a segurança eo bem-estar através da vida em sociedade. O Contrato Social de Rousseau se baseava na ideia de que sempre prevalece o bem estar coletivo da sociedade em contrapartida ao individual. E segundo ele, se a sociedade tiver como soberana a proteção das necessidades do grupo, será uma sociedade que preserva a liberdade dos homens.

Rousseau alegava que a propriedade privada seria a origem da desigualdade e da injustiça, pois homens mais fortes poderiam prevalecer sobre os mais fracos. O uso da razão também poderia tornar os homens mais distantes de seu Estado Natural e nesse caso os tornaria mais infelizes. “Desde o momento em que um homem teve necessidade do auxílio do outro, desde que se percebeu que seria útil a um só indivíduo contar com provisões para dois, desapareceu a igualdade, a propriedade se introduziu, o trabalho se tornou necessário”.

3 Replies to “Jean – Jacques Rousseau (1712 – 1778)”

  1. Também adorei esse texto, Antonio! Li enquanto ouvia o podcast, ficou ótimo. Lembrei de algumas informações com as quais já tinha tido contato e aprendi várias coisas novas. Parabéns, bacana mesmo!

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