A Cômica História da Proclamação da República

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Escrito por : Antonio Auriemo

A cômica história da proclamação da república

O modelo republicano, no século XIX, emergia para mudar a filosofia de governo de muitos países ocidentais. O Manifesto Republicano, publicado no ano de 1870 no Brasil, pregava que um regime monárquico servia apenas a Europa. Com os acontecimentos de 13 de maio de 1888, data da abolição da escravidão, a monarquia brasileira perdia seu ultimo pilar de apoio: a elite de latifundiários.

Os autores da proclamação da República de 15 de novembro de 1889, foram uma parcela do exército, que se sentia desprezada pelo imperador e pelo seu regime, de integrantes jovens revolucionários, invisíveis perante a sociedade. O movimento revolucionário precisava de um nome de influencia, para que o golpe fosse bem sucedido: esse nome foi do Marechal Deodoro da Fonseca. Deodoro foi porta voz do exército durante a questão militar, movimento que lutava pela liberdade de expressão dos soldados, e havia lutado na Guerra do Paraguai. Homem esse influente, porém fraco emocionalmente e de grande covardia.  

O que poucos sabem, entretanto, é que Deodoro era monarquista e amigo pessoal do imperador. “Os brasileiros estão muito mal educados para a república. Ruim com monarquia, pior sem ela.” Frase essa que Deodoro teria dito 60 dias antes de dar o golpe. Deodoro nos acontecimentos de 15 novembro, as 6 da manhã, no Campo de Santana, não derrubou o regime imperial, e sim apenas, o gabinete do primeiro ministro em exercício, Visconde de Ouro Preto. Nesse momento Deodoro teria recusado a derrubar o imperador e disse: “E meu amigo devo-lhe favores.” E de acordo com Eduardo Bueno: “Quando um dos cadetes que estava junto com ele gritou: viva a república! Deodoro deu-lhe um tapa.”   

A cômica parte, entretanto é como os republicanos conseguiram persuadir o Marechal a de fato proclamar a república e aderir ao golpe. Deodoro teria voltado à sua casa, pois estava doente e de cama fazia um mês. Entretanto os militares queriam derrubar o regime monárquico ainda naquele dia, e o responsável por persuadir Deodoro foi o Major Sólon Ribeiro. Sólon Ribeiro, famoso por espalhar outra mentira que de que o próprio Deodoro e Benjamin Constant (outro republicano) seriam presos pela guarda imperial, o que teria antecipado o golpe.

O major teria dito ao Marechal, que D. Pedro II teria nomeado para primeiro ministro, no lugar do Visconde de Ouro Preto, Gaspar Silveira Martins. Silveira Martins além de ter disputado e ganhado a eleição do governo da província do Rio Grande do Sul na época do império, teria tido um caso com a mulher que Deodora mais desejava, a Baronesa de Triunfo, e por isso virou inimigo mortal do Marechal. O imperador, por sua vez nem sabia da derrubada do primeiro ministro, pois estava em Petrópolis, seu lugar preferido para passar o verão.

Essa era uma mentira capciosa e era também a coisa que Deodoro menos queria ouvir no momento. Após isso, o Marechal mandou dizer ao povo que estava proclamada a república provisoriamente, e que depois haveria uma consulta popular, o que de fato ocorreu, entretanto, apenas, 104 anos depois. Foi assim que a república foi proclamada, devido a uma rivalidade pessoal de Deodoro, que resultou em um ato impulsivo de extrema irresponsabilidade e que mudaria toda a história do Brasil.

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