Escrito por : Jorge Landmann

O que era o Quilombo dos Palmares?

Relativamente pouco se sabe sobre Palmares, um dos mais importantes episódios da história brasileira, e certamente o mais marcante e longo da nossa história colonial. Foi necessário organizar o maior exército formado até a data nas Américas para derrotar as forças dos Palmares, na falta de suficientes tropas, esvaziou-se prisões em todo Brasil e até de Buenos Aires vieram prisioneiros para lutar.

Infelizmente os abolicionistas destruíram a maioria dos documentos visando “apagar a mancha negra” da nossa história. Porém, alguns historiadores fizeram uma garimpada nos arquivos das bibliotecas em Portugal, onde não se promoveu a queima destes registros.

Sabemos que durou aproximadamente um século. Acredita-se que teve início com a revolta dos escravos na fazenda de um capitão Tourinho em Pernambuco em fins do século XVI. Os escravos fugiram para o interior de Pernambuco, que na época incluía o atual estado de Alagoas, e formaram um quilombo, primórdio do primeiro país africano fora da África, o reino dos Palmares.

Dos mais de um milhão de africanos que foram trazidos para Pernambuco, até final do século XVII, apenas 2 mil vieram do golfo da Guiné e alguns poucos do Leste africano, quase todos eram bantos de nações que hoje formam os países de Gabão, Angola e Congo. A cultura, era bem diferente, em especial a religião, daquela dos africanos trazidos ao Brasil predominantemente nos séculos XVIII e XIX, os Yorubás/Nagôs e Gegês que vieram do golfo da Guiné trazendo seu Deus maior, Olorum, e divindades chamadas de Orixás.  

As religiões dos povos dos Palmares tinham a natureza com fonte, a grande serpente, a árvore, o rio e montanha, o Grande Deus era Nzambi Mpungu (ou Nzambi-a-Mpungu), as imagens sagradas chamavam de Nkise (Calungas).

A palavra quilombo, como ficaram sendo conhecidas as povoações, veio das aldeias fortificadas da África, o kilombo em quimbundo. No Quilombo, entre outros acontecimentos, havia a iniciação para guerra e caça dos jovens guerreiros, sendo uma cultura matrilinear os filhos eram criados na vila da mãe pelos tios, aos 13 anos se tornavam adultos e iam para os quilombos. No Brasil se tornou sinônimo de povoados de escravos fugitivos, que eram chamados de quilombolas. Os chefes dos Quilombos chamavam Lembas, também do quimbundo. As casas eram referidas como Mocambos outra palavra africana, no Brasil também era usada para indicar um assentamento com poucas casas. Em todo “país” Palmares houve um período em que havia 13 quilombos, mais ao norte Amaro, ao sul ficava Andalaquituche e ao oeste Osenga. Os nomes dos quilombos eram os dos chefes como por exemplo; Zumbi, Acotirene, Dambraganga, Subupira e Tabocas. A capital do reino era Macaco, uma cidade de grande porte, possivelmente a terceira maior do Brasil na época.

As línguas eram do tronco Banto, a principal Kimbundu, em português escrito quimbundo, possivelmente era a mais falada, mas havia muitas outras, Kongo, Unbundo, Chokwe, Mbundu, Nganguela e Kwanyama portanto, provavelmente o português era a língua base de comunicação geral entre os quilombolas mas incrustado de palavras africanas.

5 Replies to “O Quilombo dos Palmares (parte 1)”

  1. Antonio , muito bom seu texto sobre o Quilombo do Palmares !! Muitas informacoes novas para mim !! A sequencia deve ser bem legal !!

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