Escrito por : Antonio Auriemo

A Cruzada (1202 d.C – 1204 d.C)

Apesar da 3a Cruzada ter tido ganhos e perdas para os dois lados, pois os cristãos ainda tinham alguns domínios na costa leste do mediterrâneo o grande objetivo de reconquistar Jerusalém continuava não cumprido. A falha na reconquista da Terra Santa fez com que o novo Papa Inocêncio III, em 1198, convocasse mais uma expedição militar. Muitos dos reis europeus que atenderam o chamado de Gregório VIII, na 3aCruzada agora ignoraram o novo pedido. Assim as Cruzadas tiveram, novamente ampla participação, da camada mais simples da população. Mais de 30.000 pessoas  se voluntariaram para a nova Cruzada.

Desta vez os Cruzados apostaram em um deslocamento muito mais rápido, marítimo, que tinha como foco o Egito, que agora era o centro do poder islâmico. A República de Veneza, que era a maior potência naval da época,  havia construído mais de 500 navios (maior frota marítima desde o Império Romano), o que custou muito dinheiro e mão de obra, e causou um tremendo déficit na economia local.

A chegada dos Cruzados na cidade foi de grande surpresa para os venezianos, pois ao invés de chegarem 30.000 homens, só apareceram 12.000, que estavam sem dinheiro para pagar a quantidade a mais de navios feitos. Então um acordo foi proposto: os venezianos disseram que se os Cruzados atacassem a cidade de Zara, que também era cristã, e havia se rebelado e saído do controle econômico de Veneza, parte da dívida seria perdoada. Apesar da ameaça por carta do Papa de excomungar os Cruzados, e os venezianos, pois estavam atacando uma cidade cristã ambos prosseguiram para atacar Zara, que se rendeu pouco após. A carta papal, contudo jamais chegara aos ouvidos dos guerreiros, ela fora escondida pelos lideres. 

Parte da dívida dos Cruzados com Veneza estava agora paga graças ao próspero ataque a Zara. Contudo, os guerreiros cristãos ainda estavam muito pobres, com metade do débito a ser pago e totalmente subordinados à república. Porém, tudo mudou quando um príncipe bizantino chamado Alexius ofereceu aos Cruzados uma proposta tentadora: se os cruzados depusessem  seu tio Alexius III que havia deposto seu pai, ele iria providenciar navios e tropas para acompanhar os Cruzados ao Egito, colocaria a igreja cristã ortodoxa Bizantina no comando papal, e mais importante, pagaria toda a dívida a Veneza. Claramente os Cruzados aceitaram a oferta alegremente.

Ao chegarem a Constantinopla, os europeus se depararam com uma cidade inexpugnável, por causa de seus gigantes muros de pedra. Todavia, os invasores contavam com a frota naval veneziana, que havia sido feita, um ano antes, para o transporte dos próprios ao Egito, e que era incrivelmente mais bem equipada e moderna. Assim em Agosto de 1203 os Cruzados, juntos aos venezianos, conseguiram tomar a cidade, e colocar Alexius IV no trono. Porém, mesmo tendo todo poder, em um vasto território que compunha o Império Bizantino, o imperador não parecia ter nada do que prometera, por isso os Cruzados ficaram acampados foras dos muros de Constantinopla até que o novo monarca lhes desse o que havia prometido.

Grande desgosto contra os europeus e contra o jovem imperador rondava a cidade. Um nobre chamado Mourtzouphlos era o líder da oposição contra o novo regime, e era o mesmo que havia liderado as tropas Bizantinas no início da invasão pelos ocidentais (ganhando respeito tanto dos civis como dos próprios militares que havia liderado.) Então era uma questão de tempo até que Mourtzouphlos destronasse o imperador e apanhasse a coroa para si mesmo. Assim foi feito: Mourtzouphlos foi coroado imperador, com o nome de Alexius V, e devido ao seu espírito anti-europeu, decidiu não honrar as promessas de Alexius IV aos Cruzados.

Embora o Papa Inocêncio III tivesse novamente exigido, aos seus fiéis que não atacassem Constantinopla, mais uma vez a carta papal ficou fora dos ouvidos populares. Já que o imperador não iria entregar o prometido, seria guerra. Os navios venezianos atacaram pelo mar, enquanto os soldados de Cristo arrombavam o gigante portão da cidade. O ataque teve sucesso; na mesma noite Mourtzouphlos fugiu, deixando Constantinopla totalmente exposta. Os europeus saquearam a cidade durante 3 dias, roubando uma quantia de espólios inimagináveis para a época: 1 milhão de moedas de prata, e inúmeras relíquias que estão até hoje na Catedral de São Marcos. Após esses eventos, somente um pequeno número de membros da 4a Cruzada chegou à Terra Santa.  

Conclusão

No final das contas, a 4a Cruzada nos mostra o mesmo erro que vemos sendo cometido desde o princípio de nossa existência: a ganância, o poder, o dinheiro acima de tudo. Essa expedição começou com a intenção de retomar os territórios cristãos, em posse muçulmana no Oriente Médio, e acabou com os próprios Cruzados atacando e guerreando contra seus próprios aliados cristãos, que depois disso, nunca mais conseguiram se reerguer.

A frase seguinte é de uma carta do Papa Inocêncio III,  após os acontecimentos da 4a Cruzada, que resume perfeitamente o dito acima. “Quanto aos que deveriam estar buscando os fins de Jesus Cristo, não os seus próprios fins, que fizeram suas espadas, que deveriam usar contra os pagãos, gotejar com sangue cristão, eles não pouparam nem religião, nem idade, nem sexo.”  (Mesmo depois de todo seu discurso condenatório o Papa acabou perdoando os integrantes da Cruzada, ao cederem os bens roubados para Roma.)

8 Replies to “A 4a Cruzada”

  1. Antonio

    Gostei muito,principalmente quando texto aproxima a história ,e os fatos da época,aos dias de hoje…fantástico!

    Gostei de ver tb como o Papa “ anistiando” os Cruzados,mas claro ,contra o pagamento feito a igreja..muito bem contado.

    Eu nāo sabia nada desta parte da história ,e agora estou sabendo…é muito bom!!

    Parabens pelo novo texto..muito gostoso de ler.

    Bj
    Fabio Auriemo

    1. Antônio
      Adorei rever seu blog!!
      Como fui um mal aluno de história e além disto tenho uma péssima memória estes fatos históricos recontados por você de forma sucinta e cativante são mais do que bem vindos.
      Escreva mais!!!!!

  2. Antonio
    Gostei muito !!!
    Não sabia sobre a quarta cruzada e adorei a conclusão qdo vc coloca muito bem sua opinião sobre as opções do ser humano desde sempre …

  3. Antonio muito legal os textos das cruzadas !! Obrigado pela imersao nestas partes tao legais da historia !!! Bjs

  4. Antonio

    Cada dia mais você me surpreende com suas narrativas de forma lúcida e esclarecedora de acontecimentos que com o passar do tempo eu havia me esquecido . Como é bom voltar no tempo e rever fatos da história através de temas os quais você consegue fazer a apresentação o desenvolvimento e o desfecho com tanta clareza que me deixa cada dia mais culta e orgulhosa de você !

  5. Antonio. Vic real mentee tem power de Sintese e sem perder o Foxconn no’s faz comprehended passage s importantes da Historia q Nao Sao bem conhecidas mas q tiveram influencia nos fates q se seguiram

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